Por Luciana Leal
Dia 3 de outubro. A Ilha de Itaparica festejante, borbulhante! Um clima muito legal do esporte no ar. Muita gente pra correr a categoria Cross Country, que se misturou com a gente da Corrida de Aventura e deu um charme especial à festa.
Nossa idéia inicial era manter o quarteto da última prova. Mas Zezinho teve problemas pessoais e acabou que Scavuzzi tava voltando a treinar, blá, blá, blá. Deu tudo certinho! Eu fiquei super feliz porque a companhia dele me faz lembrar os nossos momentos hilários do Brasil Wild. Mais uma vez conseguimos montar 3 quartetos mistos e ainda emprestamos Lucy(nossa mais nova e verde menina!) para a AG2. A criatura é tão pilhada que aceitou correr com sabendo que viajaria para os EUA na manhã de domingo. Combinaram de correrem até onde desse! Muito legal!
Eu (Luciana), Mauroba, Scavuzzi e Fred compomos a Aventureiros 1. Êta mundão doido!! Foi chão que a gente andou! Foi perrengue que a gente passou que não acabava mais! É história!
Largada às 10h seria com cada um fazendo o que tava a fim: dois correndo 6km (Eu e Mauro) junto com a categoria Cross Country, Fred seria levado para 1km longe da costa e voltaria nadando, e Scavuzzi ficaria sentadinho olhando os equipamentos( ele queria mesmo de fazer isso!). Achamos que aquele tempo não faria tanta diferença numa prova de 107km e não fez mesmo.
Corri botando os bofes pra fora porque ia sentar na canoa e descansar as pernas logo depois. Minha respiração é a ofegãncia de sempre em todo começo de prova. Mauroba, muito engraçadinho, correu se acabando de dor de facão e ainda ficava querendo me dar dicas de como respirar. Quem já viu isso!? “Lu! Respire assim, respire assado!” Eu dizia que só conseguia respirar daquele jeito e fomos indo até fecharmos o trecho juntos em 32 minutos. Muito engraçado quando ele resolve me ensinar o que não sabe fazer.
Chegando lá, já estavam Fred e Scavuzzi esperando. Deu pra ler um jornal. Pegamos a canoa caiçara e partimos remando com vontade em direção à Ilha do Medo. Fred é muito pilhado! Ele dizia que estava vendo o PC e eu falava que o PC estaria do outro lado da Ilha. Mas quando nos aproximamos era mesmo o dito cujo. O cara mudou de posição.
De lá viramos rumo à Misericórdia. Misericórdia! O mar também virou! Nosso Capitão Fred “berrava” pra gente remar mais rápido, mas a coisa não evoluia. Eu tava bem na ponta da canoa e tomava banho com as ondas que batiam e enchiam o barco. Toda vez que a onda vinha eu gritava UHUUUU! Foi emocionante! Mas alguém teve que tirar a água do barco pra gente não afundar. A canoa balançava muito, não rendia, a gente tomava esporro de Fred e ficava sacaneando com ele. No final das contas, Mauro passou para o leme e Fred veio apenas remar. Daí a coisa realmente pareceu fluir melhor. Enquanto remava, refletia sobre a minha condição na equipe. Via as meninas sem remar, tirando água do barco e eu ficava me lenhando. “Aaaah! Também quero! Vou arrumar uma equipe que me trate como uma menina!” Sabem o que eu ouvia como resposta?? “Pare de falar e reme Lu!”
Pulamos do barco em Misericórdia! Depois do 1km de trekking, pegamos as bikes, saímos para uma pedalada dos infernos que “Darth Gaia Vader” preparou. Foram 20 e tantos km de baticum, empurrabike, pula toco, cai em buraco, vira “mariascumbunda” , passa cerca, desce pirambeira, sobe tudo de novo. Nunca fiquei com tanto lugar roxo nas pernas. Clarinha perdeu feio pra mim na quantidade de hematomas. Sei que o downhill que chegava até o PC era tão irado que nem eu, que ando mais devagar, enxerguei o PC virtual. Também nem dava pra ver mesmo pois foi na hora em que tomei minha queda de Magaiver. O pneu da frente caiu num buraco, voei da bicicleta e ainda consegui virar de frente antes de receber a porrada da bicha caindo em cima de mim. Mauro estava logo atrás e se preocupou perguntando se eu precisava de ajuda. Ri dizendo que estava ótima, só precisava sair dali debaixo. Não rolou nem um arranhão! Encontramos nossos queridos Catingueiros de Feira quando percebemos que o Pc tinha passado. Fred, pra variar, ficou louco. Meu Deus, esse menino é um brutamontes dos tempos das cavernas, só faltava bater nos peitos e gritar UGA! UGA! A gente se acabava de rir da pilha dele. “Gente! Nós fomos ultrapassados! ! Isso não pode!” Toda equipe tem o seu ser mais AGRESTE. Nós temos o nosso!
Enfim chegamos naquela igreja linda, onde as árvores parecem segurar o que restou da sua ruína. Pegamos um trecho de asfalto só pra aliviar um pouquinho. Lá fomos nós para a trilha outra vez. Encontramos nossos amigos da Makaíra e outros queridos. A trilha era tão casca grossa quanto a outra! Já era noite quando chegamos ao pasto das avestruzes sem perceber. Nós e a Gantuá. Para a nossa sorte, chegamos rápido na sede da fazenda. Foi sinistro! Estávamos na parte de dentro da cerca quando pulou um bichão enorme querendo pegar a gente. Que susto! Ainda bem que tinha cerca!
Então seguimos pela pista de barro e chegamos à Vila pra deixar as bikes, começar o trekking pelo tal do apicum(definiçã o: mangue com areia preta e dura). Sua cara que é dura seu Gaia Vader de uma figa! No meio do caminho encontramos algumas equipes vindo de bicicleta. A lua estava lindíssima! Nem precisava ligar os headlamps. Chegamos ao vilarejo invadindo uma casa em construção e já saímos no meio da rua clara como uns verdadeiros extraterrestres.
Doze horas de prova. Àquela altura da corrida, a comida já acabava. As canoas nos esperavam novamente. Fred quem se adiantou para escolher. Pegou uma enorme, toda colorida, a mais bonita! Apaixonou-se perdidamente pela canoa! Falava o tempo todo que era tudo de bom! Rimos muito! Depois da minha reinvindicação da primeira perna de remo, ganhei o status de navegadora. Fiquei fingindo que estava olhando o mapa, deitei no fundo da canoa, botei as pernas pra cima e admirei a lua cheia. “Remem!!” E os meninos remavam. Mas alegria de pobre dura pouco. Capitão Nascimento Troglodita Mega Power me mandou levantar e remar. Ops!! A canoa encalhou! Mauro saltou e começou a andar pra ver onde dava pra passar, enquanto Fred e Scavuzzi chacoalhavam a canoa pra que ela saísse do lugar. O bom é que eles não se entendiam e um empurrava pra lado e o outro pro outro. Tive que dar uns “sbregues”. “Empurrem a canoa pra fora! Vamos dar a volta! Vamos embora Mauro!” Se eu não existo nessa equipe, seria um mangue! KKKKK!
Só sei que a nossa velocidade foi ótima! Num instante chegamos em Matarandiba. Ainda ultrapassamos a Makaíra, a Gantuá e mais uma outra. Remar mais do que a Gantuá é muito legal! “Foi mal aí viu meninos!”
Na ilha, nos separamos para pegar os PCs virtuais. Mauro e Scavuzzi foram pegar o do morro e Eu e Fred fomos ao da fonte. Pela praia parecia mais fácil. A maré tava baixa, o terreno tinha uma cor clara no mapa, dando a impressão de que era areia. Meu Deus! Que sofrimento! Fred foi correndo até lá, ora me puxando, ora na minha frente. Esqueci de levar a coleira! Meu pé afundava muuuito! Eu suava bicas! Ele patinava na lama e eu me acabava para correr. “Será que é porque é surfista!?” Na volta, tentei convencê-lo com mil argumentos a subir pela trilha. Ele se recusou! Disse que a gente ia se perder. Me retei! Rodei a baiana! Eu tava sofrendo muito! Não adiantou! Fomos pela beira e demos um salto para a segunda posição na prova. Que alegria! Valeu a pena vc insistir Fred! Todo mundo se perdeu na trilha. Nosso caminho era mais seguro mesmo.
Fomos embora depois de lavar os tênis e catar a comida no fundo da mochila para o próximo lanche. Navegação interessante, tudo tranqüilo, chegamos ao PC do rio, na casa de Sr. Zequinha. E foi dali que a coisa ficou feia novamente! Batemos cabeça de um jeito que nunca vi. Só pra variar, escolhemos o caminho pior, rasgando uma floresta densa morro acima. A Gantuá se lenhou junto com a gente. Capitão Nascimento ia à frente rasgando tudo o que via pela frente, enquanto Mauro guiava logo atrás. Era muito cômico! Fred reclamava, Scavuzzi resmungava, Mauro ficava com aquela cara de paisagem tentando fingir que estava sabendo onde estava e eu ia junto dando uns pitacos de vez em quando, falando umas besteiras pra distrair. Gente o lugar era sinistro! Tinha árvores tão grandes que para passar pelas raízes tínhamos que fazer a volta. Os olhinhos dos bichos ficavam brilhando. Os bichos faziam aqueles barulhinhos esquisitos como se perguntassem: “quem são vocês?” No fim da rasgação de mato, encontramos uma trilha bonita. A essa altura já tinha tido umas três vertigens de sono e fome. Tinha um tronco de árvore atravessado no caminho. Mauro passou sentou, eu passei e sentei, Scavuzzi fez o mesmo. Fred passou e ficou olhando pra nós e todo mundo se olhando com ar de cumplicidade e riso. Depois de ainda ir e voltar sem decidir, me meti perguntando que “diabo” a gente tava fazendo indo pra direita, se o caminho era pra esquerda. Enfim, fomos para esquerda! Já avistávamos a cidade sem saber de que lugar se tratava. Caminhada longa! No meio da trilha tinha uma cratera enorme! Me senti na lua. A cidade não me atraiu. Olhei pro chão, procurei um lugar mais legal, vi que não dava pra deitar de costas por causa das coisas que carregava, deitei de lado e capotei. O povo ia me deixar lá, gente! Só ouvi os meninos da Gantuá dizendo: “chama Luciana!” Mauro já estava lá embaixo. Disseram que me chamaram mais de dez vezes. Sacanagem!
O dia amanheceu quando estávamos descendo o morro. Quase fomos parar na ponte do funil. A comida já tinha acabado. Eu ficava pensando num café com leite bem gostoso.
Ainda fomos batendo papo, quando Gaia Vader Miseravão Safado Descarado Mega Power apareceu dizendo que apenas quatro equipes tinham chegado. Gente, eu não sei o que os meninos da Gantuá estavam fazendo com a gente com tanta energia que tinham!! Eles ficaram tão animados, saíram correndo e sumiram! Só nos encontramos na chegada. Danados!
Mas então!! Nós aumentamos um pouco o ritmo, chegando ao PC 14. E ainda tinha caminhada. Nossa! Que coisa! Ainda teve mangue, atravessamos rio. Tinha um diabo de uma trilha que era dentro do rio. Subimos outro morro, encontramos o pessoal de Feira(CCAA), que nos ultrapassou e foi embora.
Ufa! Antes de pegar as bikes, fomos à padaria comprar uns pães, café com leite, guaraná. A coisa tava feia! Chegamos no PC em sexto lugar sem muita preocupação com posição. Àquela altura do campeonato, chegar era o principal objetivo. Depois de uma transição muito lenta, saímos para pedalar. Scavuzzi já nem conseguia sentar na bike por causa do “foreves assadus”. O paralelepípedo então!! UI! Mas pedalamos com vontade! Pra R2 não pegar a gente e pra pegar a CCAA. Revezamos o vácuo, chegamos a Penha e avistamos o pessoal de Feira saindo da igreja. Fred gritou: “Vamo buscaaaaaaaá! !!!????” Consultamos o mais debilitado e ele topou na hora! Sanguenozóio! !! Pedalamos loucamente!! Ultrapassamos o pessoal a pouco mais de 100m da chegada, fomos direto para o Banco do Brasil, conforme estava escrito do race. Escovada danada! Entramos na segunda rua em frente ao banco, só que o Portal de chegada estava na primeira rua. Quando chegamos o pessoal estava comemorando a chegada, recebendo troféu, fazendo a farra. Que chato!
Mais um pega perdido! Sim!? Não? No fim das contas, ficamos em quinto lugar por que os meninos não haviam encontrado um PC e a organização constatou o erro cometido. Ou seja, nem precisávamos nos desgastar, mas foi gostoso!
A prova foi emocionante! Vinte e quatro horas de dureza total! Bem organizada! A Daventura sabe mesmo fazer festa!
Beijinhos e aguardem as Penélopes do Agreste de rosinha na Odisséia de Pernambuco com Saroca, Gabi, Taty e eu(Luluzinha do Agreste).
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