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terça-feira, 4 de agosto de 2009

Release Jungle Adventure - Por Luciana Leal

Foi trágico! Mas foi cômico! Montamos uma equipe competitiva, treinamos horrores, me obrigaram a fazer treinos técnicos, suamos a camisa sem dó nem piedade. No meio da semana Mauro estava com uma infecção sem explicação, eu estava com um hematoma na perna (fruto de uma queda de bike ridícula) que me fez ir ao médico e tomar antibióticos. Paciência!
Foram 3 equipes Aventureiros do Agreste. Nós, a Aventureiros do Agreste 1- Eu, Mauro, Fred e Zé Ico.
Combinamos de poupar Mauro ao máximo. Só Zé e Fred largaram com mochilas. Sáimos no embalo junto com as equipes da frente. Eu e Arnaldo ficamos brincando de pega-pega, curtindo a prova. Zé ficou marcando o tempo, atravessamos um córrego e viramos para a esquerda, pensando que já era o rio. E a prova ficou difícil pra gente desde o começo! Foram horas dentro do mangue, que pode ser chamado de pântano. Outras equipes estavam na mesma situação. Teve uma hora que ninguém sabia de onde tinha vindo de tão igual que era a vegetação. Eu ria com tanta gente sem saber pra onde ir. Fred ficou enlouquecido! ! “-Gente! Mangue é barril! Isso aqui não existe! Como é que a gente vai sair daqui.” E eu respondia: “Existe sim Fred! Você está no mangue. A gente sai. Demora, mas sai.” Pra nós aquela situação era muito comum. Um breu miserável, choviscava algumas vezes, a água preta muitas vezes ia até a cintura, as raízes seguravam a gente como na história da Branca de Neve. Tinha horas que a vegetação fechava e a gente tinha que procurar um buraco pra passar. O engraçado é que ele falava do mangue, mas pra o lado que Mauro dissesse pra ir, o bicho saía igual a um trator rasgando tudo que via pela frente. O preparo não deixava a desejar, porém, a coisa não evoluía. Zé soltava um arroto e um pum a cada 3 segundos, irritando profundamente equipes vizinhas. De repente apareceu o miserável do rio que deveríamos ter atravessado no começo da prova. A ficha caiu na mesma hora. Fred não parava de falar nem um minuto e já dizia que não tinha como atravessar o rio. “Vocês já viram um aventureiro não atravessar um rio à noite?” Ele ainda não tinha noção da brutalidade do sistema, apesar de termos avisado. Fomos entrando na água na maior naturalidade enquanto Mauro sacaneava, perguntando que tipo de nadador ele era. E essa provocação fez o menino se jogar sem medo de ser feliz. Depois da travessia a situação começou a melhorar, encontramos a AA2 outra vez, pegamos o PC1 e seguimos para o PC2.
Pensam que acabou o caso do mangue? Nossa! Pegamos uma trilha, checamos azimute pra cortar até o PC2. Apareceu outro rio. Zé foi e voltou dizendo que não dava pra ir, porque era mangue puro do outro lado. Só que decidimos ir. Tadinho, atravessar o rio com correnteza duas vezes é dose!
No PC2 a nossa posição era 7º lugar. A Makaíra já estava a duas horas de nós. Imaginem!? Começamos a organizar a transição, descobrimos que levaram um farol da bike (se alguém tiver levado sem querer, aceitamos devoluções). Mauroba começou a vomitar. Os irmãos Aventureiros nos deram apoio moral, foram embora e ficamos esperando as coisas se acalmarem. Agora tentem imaginar um cara de 1,90m vomitando lá do alto e depois deitando pertinho do vômito. Vocês acham que ele deitou onde?
Daí em diante o nosso atleta correu na base de água de côco, de suco e de umas poucas frutas que tínhamos. A meta era chegar ao PC 3 antes do corte das 6 da manhã. Meu Deus! Que eucaliptal foi aquele!? A gente ia pensando que tava tudo certo e, de repente, o azimute mudava pra uma direção totalmente diferente. De repente vimos Daniel na estrada na entrada do PC, que foi uma luz em nosso caminho. Valeu Dani!
Chegamos às 5 da matina. As Makaíras e a Gantuá já tinham ido embora. Os pontos eram plotados na hora. A chuva molhou o mapa e a caneta não marcou nada. “Decoramos” os pontos, mostramos a direção para Fred e Zé pegarem o PCB e fomos pegar o C e o D, descartando o A. Quem disse que Tico e Teco se entendiam? Mauro foi correndo para o C e eu sentei na beira da estrada pra esperar. Confesso que senti um pouco de medo daquele breu todo. Não tinha nada nem ninguém. Só eu! Uma reles mortal indefesa. E se a caipora aparecesse!? Ri do meu medo! O dia começou a amanhecer. Maurão e Gaiamum apareceram e Mauroba veio logo depois sem PC.
Abrindo um parêntesis para esse trecho, acho mais estimulante o PC onde você ganha bônus de tempo. A prova foi definida ali e nada mais podíamos fazer. Mas, só pra gente não perder o clima de competição, a brincadeira passou a ser tentar ultrapassar quem estivesse na frente.
Seguimos para o PC virtual E, que ficou bem mais fácil com o dia claro. Fomos pra o rappel juntinhos com a Aventureiros 2. Cláudio tomou uma queda numa ladeira que eu achei que tivesse fraturado a bacia. Ficou estirado no chão e eu, que vinha logo atrás, tive que desviar do corpo desfalecido. Ainda varamos o eucaliptal até o PC 4, onde já estavam a Aventureiros 3, a Insanos e Companheiros. Quando fomos embora, todos já tinham ido e também não fomos avisados do cancelamento do PC6.
Passando algumas equipes, cada um com seus problemas, chegamos ao PC5 com a Companheiros. Deixamos nossas bicicletas e seguimos. Até Mauro, que estava mais debilitado, conseguia correr sem maiores problemas. Seguimos beirando a lagoa, encontramos uma estrada que atravessava o caminho e tínhamos que rasgar mato até o mar, onde estava o PC6. Foram umas 3 tentativas de passar, mas a mata fechava muito. Nesse meio tempo, Fred resolveu subir numa árvore até o último galho pra ver se enxergava alguma trilha (alguém tem que mandar esse menino a um psiquiatra, pois a loucura vai além da conta!). Depois que ele viu que não dava pra passar, tomou a maior queda. Andando mais um pouco, encontrei uma trilha fininha e chamei os meninos. Vamos tentar mais uma vez! Encontramos Didi com sua dupla, que disse ter andado muito, mas a mata fechava. E fechava mesmo, mas pra quem passou uma noite no pântano, aquilo ia ser mole. Lá de cima vimos o mar de muito longe. Ainda tinha uma descida boa e uma montanha pela frente. Fomos por cima, enquanto todos os outros desceram pelo vale. A vegetação era espaçada, o chão de areia branca e havia trilhas em alguns pontos. Pudemos evoluir sem dificuldades até que, pertinho da praia, encontramos outro charco. Zé nem acreditou que nos jogaríamos naquela melação outra vez depois de mais de 10horas de prova. Entramos na trilha do charco, que se misturava com mangue e depois virava rio. Zé e Fred terminaram o trecho com mão ensanguentadas. Quanta agrestia!
Tiramos metade da lama dos pés, subimos o último morro, não havia PC6. O race book dizia que estava à beira-mar. Como não vimos ninguém à beira-mar, fomos observando e correndo em direção à chegada. Corremos por uns 7km na areia da praia, chegando depois da Gantuá e da equipe local(Caiçara) . Mas, como não tínhamos pegado todos os PCs(letras) lá do 3, ficamos mais atrás no ranking.
Gostamos muito da prova! Aproveitamos cada momento, principalmente, as lições! Foi massa! Depois de tudo, e morrendo de sono, ainda realizamos a nossa Ação Social com a atividade de Saúde Bucal para 50 crianças da comunidade. Agradecemos ao pessoal da Paletada por facilitar nossa atividade.

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